A Federação das Indústrias de Mato Grosso (Fiemt) promoveu um debate nesta quinta-feira sobre a proposta de redução da jornada de trabalho no Brasil e seus possíveis reflexos para a indústria.
O encontro, realizado pelo Conselho Temático de Relações do Trabalho (CRT), reuniu empresários, representantes sindicais e líderes industriais para discutir os impactos e desafios da medida no âmbito estadual e nacional.
O presidente do Sistema Fiemt ressaltou a importância do debate, destacando os riscos à competitividade da indústria brasileira. Ele alertou que a proposta deve ser analisada com responsabilidade e embasamento técnico, sem cair em disputas políticas. O tema é relevante, pois impacta diretamente a produtividade, geração de empregos e a capacidade de as empresas se manterem competitivas em um cenário econômico global desafiador.
Durante o encontro, foi apresentada uma análise da Confederação Nacional da Indústria (CNI) sobre a situação nacional. A CNI detalhou as propostas que estão sendo discutidas no Congresso, além dos possíveis riscos regulatórios e seus efeitos econômicos, especialmente para setores que operam em escalas contínuas, como 6×1 e 5×2.
Alexandre Furlan, presidente do Conselho de Relações do Trabalho da CNI, chamou atenção para a relevância política do tema. Ele apontou que a discussão deve se intensificar na próxima Conferência Nacional do Trabalho, o que pode influenciar o debate público, uma vez que mudanças na carga horária têm potencial para impactar diretamente nos custos da folha de pagamento e na competitividade da indústria.
Furlan também destacou que a mão de obra representa mais da metade dos custos das empresas, o que pode pressionar especialmente as micro, pequenas e médias indústrias. Segundo estudos, a redução da jornada de 44 para 40 horas semanais pode aumentar os custos das empresas brasileiras em até R$ 267,2 bilhões por ano, refletindo um incremento de até 7% na folha salarial.
Claudio Ottaiano, presidente do CRT, observou que o tema afeta não apenas a indústria, mas toda a população.
Ele alertou que qualquer aumento de custos pode onerar o trabalhador. Otaiano observou que a justificativa de aumento na produtividade para a redução da jornada não condiz com a realidade brasileira, uma vez que a produtividade do trabalhador nacional ainda é inferior à de economias desenvolvidas.
No âmbito estadual, um estudo técnico apresentado pelo Observatório da Indústria de Mato Grosso analisou os impactos da jornada 6×1, abordando folha de pagamento, projeções de emprego e setores mais sensíveis.
O debate também apresentou uma sondagem do Instituto Euvaldo Lodi de Mato Grosso (IEL MT) com 46 respondentes de 28 sindicatos industriais do Sistema Fiemt. Os resultados mostraram preocupação com a adoção do modelo de descanso consecutivo (5×2).
De acordo com a pesquisa, 82,61% dos dirigentes sindicais percebem impacto negativo na produtividade, com aumento nos custos do produto final e despesas com horas extras sendo as principais preocupações.
